Tudo o que você precisa saber sobre a argamassa de contrapiso auto adensável

O contrapiso é uma camada de argamassa executada sobre uma base, com a função de regularizar a superfície para receber o piso de acabamento.

O princípio de se utilizar uma camada de concreto para dar base ao piso não é nenhuma novidade da modernidade. Há registros de técnicas para a preparação do que hoje conhecemos como contrapiso em escritos como o De Architectura, de Vitrúvio (80 a.C. – 15 a.C.).

De Architectura, edição de 1692.
Edição de 1692 de De Architectura. Foto: Wikipédia.

Mas isso não significa que não haja espaço para o constante aperfeiçoamento das técnicas construtivas. Hoje existem métodos que inovam tanto na facilidade da aplicação quanto na qualidade do resultado.

A utilização da argamassa auto adensável na aplicação do contrapiso é uma destas inovações e hoje você conhecerá mais detalhes sobre este método. Vamos lá?

O concreto e a argamassa auto adensável na construção civil

O concreto e a argamassa autoadensável, padronizados pela  norma NBR 15823, representam uma evolução construtiva em relação ao material convencional.

Nosso blog conta com uma série de artigos dedicados ao concreto auto adensável que podem ser conferidos nos links abaixo.

ARTIGO | CONCRETO AUTO ADENSÁVEL: DOSAGEM E APLICAÇÕES

ARTIGO | CONCRETO AUTO ADENSÁVEL: PRINCIPAIS VANTAGENS

O concreto auto adensável é amplamente utilizado na fabricação de elementos pré-fabricados. Mas a utilização de argamassa auto adensável in loco tem se expandido pela eficiência em processos como a aplicação de contrapiso.

Argamassa de contrapiso auto adensável

A argamassa auto adensável se caracteriza pela grande sua grande capacidade de fluir e se adensar, sem segregar nem exsurdar (separação do aglomerante e da água).

Ela é capaz de preencher espaços vazios e espalhar-se apenas sobre o efeito da gravidade e de sua própria capacidade de fluxo.

piso de argamassa estabilizada auto adensável
Contrapiso com argamassa auto adensável.

Assim como na argamassa tradicional, o primeiro passo para a qualidade da argamassa auto adensável está na sua formulação.

A argamassa de contrapiso auto adensável da Pré-fabricar Concretos é formulada em laboratório e dosada em usina úmida, através da mistura homogênea de cimento Portland, filler calcário, agregados miúdos minerais com granulometria rigidamente controlada, água e aditivos químicos.

O resultado é um material uniforme e perfeito para ambientes internos, dispensado a necessidade de vibração, facilitando a execução e tornando todo o processo mais ágil e prático.

Benefícios da argamassa de contrapiso auto adensável

A argamassa de contrapiso auto adensável apresenta uma série de benefícios em comparação ao método convencional, sentidos em vários aspectos.

O primeiro deles está relacionado a praticidade logística e operacional.

A argamassa é bombeada até o local da aplicação, dispensando o uso de betoneiras e a necessidade de espaços para armazenagem.

Instalações elétricas também não são necessárias, pois a argamassa auto adensável já chega pronta para aplicação.

Isso elimina etapas como vibração, sarrafeamento e desempeno (acabamento), necessárias em obras que utilizam argamassa de contrapiso convencional.

argamassa de contrapiso auto adensável
São inúmeras as vantagens oferecidas pela argamassa de contrapiso auto adensável.

Consequentemente, outra vantagem do uso de argamassa de contrapiso auto adensável está na redução de custos, pois elimina a necessidade de compra, aluguel ou manutenção de equipamentos de mistura, bem como sua mão de obra operacional.

A maior limpeza e organização do canteiro de obras também representa vantagens consideráveis, além da redução de desperdícios residuais, maior produtividade e agilidade.

Por fim, porém não menos importante, você garante um material uniforme, com rígidos padrões de controle que garantem a formulação ideal e ensaiados antes do fornecimento.

Como aplicar a argamassa de contrapiso auto adensável

A aplicação da argamassa de contrapiso auto adensável é consideravelmente mais prática do que os métodos convencionais.

Nós separamos para você as recomendações técnicas e algumas dicas que vão garantir o contrapiso perfeito.

1 | Preparação prévia

Todas as instalações de água, esgotos e gás devem estar concluídas e as tubulações precisam estar calçadas, a fim de evitar danos.

O ambiente precisa estar devidamente limpo, sem a presença de entulhos, restos de argamassa ou outros materiais aderidos à base.

Com a base devidamente limpa, é preparada a camada de aderência, lavando com jateamento de água sob pressão um dia antes da aplicação do contrapiso.

Os ralos também devem estar limpos e devidamente tampados.

2 | Preparo do substrato

Estes são os procedimentos necessários para o momento de receber o material.

  • Remover o excesso de água
  • Polvilhar cimento sobre a base (0,5 kg/m²) com o auxílio de uma peneira, é possível substituir o cimento por outro produto que proporcione uma ponte de aderência, desde que previamente testado.
  • Isolar as áreas frias com pontaletes para que não seja aplicado a argamassa auto adensável.
  • Colocar feltro de polietileno, EVA ou EPS nos contornos internos de contato ao contrapiso, com a função de junta perimetral nas paredes estruturais, pilares e alvenarias

3 | Execução do contrapiso

Após a chegada do caminhão betoneira é realizada a dosagem e se inicia o descarregamento na bomba que propulsiona o material através dos tubos/mangotes devidamente instalados até a base onde será aplicada, respeitando os níveis das niveletas.

Depois de aplicada, a argamassa recebe um adensamento e o acabamento fino. Para um melhor resultado, a aplicação deve seguir um sentido preferencial.

A aplicação deve ser concluída no mesmo dia que iniciada, a espessura mínima recomendada para a aplicação da argamassa auto adensável é de 4cm.

Não se pode caminhar ou transportar equipamentos sobre o contrapiso nas primeiras 24 horas. Após esse período é preciso molhar toda a área com 1cm de lâmina d’água para minimizar as fissuras provocadas pela perda excessiva de água durante o processo de pega da argamassa.

aplicação da argamassa de contrapiso auto adensavel
É importante estar atento às recomendações técnicas de aplicação.

A cura deve ser mantida por pelo menos três dias e deve ser iniciada assim que a argamassa estiver visualmente em processo de pega. Esta verificação deve ser realizada através do atrito de um prego com a argamassa aplicada.

Assim que a argamassa apresentar resistência ao trânsito, é hora de dar início ao processo de remoção da película superficial, com o auxílio de jateamento de água sob pressão.

A cerâmica deve ser aplicada somente após 7 dias, com o contrapiso previamente limpo e umedecido. É importante ressaltar que a cerâmica não pode ser aplicada em superfícies geladas e devem ser evitados ventos fortes ou exposição ao sol intenso.

VEJA TAMBÉM: TUDO SOBRE CONCRETAGEM EM BAIXAS TEMPERATURAS

Caso sejam utilizadas mantas acústicas, estas devem ser aplicadas conforme recomendações do fabricante, observando alguns itens:

  • Limpar o substrato, pois qualquer partícula pontuda pode danificar a manta.
  • Colocar a manta antes da execução e posicionamento das mestras.
  • Cuidar para executar as emendas das mantas conforme orientação de modo a não prejudicar sua capacidade acústica.
  • Deixar uma sobra de 10cm à 15 cm no encosto com as paredes, garantindo a subida da manta até o rodapé e evitando o contato do contrapiso com a estrutura.
  • Para piso flutuante, é aconselhada a colocação de telas eletrossoldadas.

É válido ressaltar que a argamassa auto adensável não pode ser aplicada em superfícies inclinadas ou desniveladas por razões óbvias.

E lembre-se: a argamassa de contrapiso auto adensável já chega pronta e previamente formulada, não adicione nenhum outro produto ao material.

E aí, curtiu o artigo? Comente caso tenha surgido alguma dúvida.

Pergunte para quem realmente entende de concreto!

Tudo o que você precisa saber sobre concretagem em baixas temperaturas

concretagem

Com a chegada do frio e a aproximação do inverno, é preciso estar atento aos processos de concretagem nas obras de construção civil. Isso porque o clima exerce influência direta no concreto e na argamassa. 

Todo o processo de hidratação do cimento, endurecimento do concreto ou argamassa e desenvolvimento da resistência é prejudicado pelas baixas temperaturas

No artigo de hoje vamos falar sobre as consequências negativas da concretagem em baixas temperaturas, além de conferir algumas dicas de como minimizar tais efeitos. 

Vamos nessa? 

A concretagem em temperaturas extremas 

A norma ABNT NBR 14934 determina a interrupção da concretagem sempre que estiver prevista a queda na temperatura ambiente para abaixo de 0ºC nas 48 horas seguintes. 

O concreto e a argamassa possuem uma quantidade significativa de água que, em temperaturas muito baixas, pode congelar

VEJA TAMBÉM: BENEFÍCIOS DO CONCRETO AUTO ADENSÁVEL NA PRODUÇÃO DE PRÉ-FABRICADOS.

O congelamento da água provoca a interrupção do processo de endurecimento e aumento de volume, acarretando graves consequências que comprometem a estrutura como um todo. 

Por isso, a suspensão da atividade de concretagem é a atitude mais aconselhável em casos de temperaturas extremas. 

A concretagem em temperaturas abaixo de 16ºC 

Mesmo que a temperatura não seja tão baixa a ponto de ocorrer o congelamento, a concretagem ainda pode ser prejudicada caso a temperatura ambiente esteja abaixo dos 16ºC. 

Não apenas a concretagem é afetada. Atividades não estruturais, como a aplicação de um reboco, são influenciadas pelo clima. 

Sabe quando ouvimos que o cimento não está puxando? Esta pode ser uma consequência da baixa temperatura no ambiente. 

Consequências da concretagem em temperaturas abaixo de 16ºC 

Baixas temperaturas podem trazer uma série de consequências negativas ao processo de concretagem. Entre as principais, destacamos: 

Retardo de início e fim da pega; 

Retardo no acabamento superficial do concreto; 

Perda de água de amassamento, também atrelada à baixa umidade relativa do ar e velocidade elevada do vento, causando fissuras por retração plástica; 

Atraso do início da cura do concreto, podendo acarretar problemas de retração plástica e secagem, além da perda de resistência superficial; 

Aumento da tendência de ocorrência de fissuras, já que o concreto não ganha resistência inicial suficiente para fazer frente às tensões relacionadas às reações de hidratação do cimento; 

Endurecimento mais lento da camada inferior comparado à camada superficial em concretagens sobre sub-bases frias. 

Além disso, em pisos industriais e lajes com formas plastificadas ou metálicas, a face inferior do concreto acaba tendo uma velocidade menor de endurecimento com relação à superfície exposta. 

concretagem
A concretagem em temperaturas abaixo dos 16ºC requer uma série de cuidados.

Com isso, a perda de água não ocorre na face inferior. A face superior, por estar sujeita a uma temperatura ambiente mais elevada e apresentando uma maior taxa de água de exsudação (com posterior perda por evaporação), resseca-se e endurece mais rápido que o restante, apresentando um aspecto “borrachudo”

Ações preventivas para concretagem em temperaturas abaixo de 16ºC 

Algumas ações preventivas podem minimizar o efeito das baixas temperaturas em concretagens realizadas em períodos de inverno ou em dias de muito frio. 

Se estes cuidados forem adotados durante o processo, é possível minimizar os efeitos das baixas temperaturas e consequentemente manter as características do concreto

Cubra as superfícies do concreto 

Em tempos frios, todas as superfícies devem ser cobertas logo após o lançamento, a fim de conservar o calor do concreto. 

Para isso, podem ser utilizados os seguintes recursos: 

  • Lonas enceradas 
  • Lençóis plásticos
  • Sacos de aniagem
  • Papel impermeável de espessura suficiente

Use estufas para a cura do concreto 

É possível improvisar estufas com lonas plásticas durante a cura inicial do concreto. É preciso uma distância média de 10cm entre a lona e a superfície das peças. 

concreto sendo misturado
Concreto em mistura

Prolongue a espera da desforma 

Outra ação importante é prolongar o tempo de espera antes da desforma, umedecendo e mantendo-a pelo maior tempo possível. 

Aproveite ao máximo o calor do dia 

O horário também é um fator fundamental. O ideal é realizar a concretagem no período da manhã, aproveitando ao máximo a temperatura ao longo do dia. 

Lembrando que a tendência natural é que no final da tarde e período da noite as temperaturas diminuam. 

Utilize aquecedores 

Essa dica é simples e direta: utilize aquecedores no local onde as peças estarão em cura inicial

Aditivos aceleradores de pega 

Este é um ponto delicado. É possível utilizar aditivos aceleradores de pega para desformas rápidas, no entanto, alguns cuidados precisam ser tomados. 

Aditivos à base de cloreto não devem ser utilizados em HIPÓTESE ALGUMA em peças que possuam armadura, neste caso é recomendada a utilização de aceleradores livres de cloreto. 

Cuidado técnico e especializado 

Todos os procedimentos de cuidado e prevenção aqui listados devem ser supervisionados pelo responsável técnico da obra, que deverá determinar o tempo de desforma, o material que será utilizado para manter o concreto aquecido, o tipo de aditivo, enfim, todo o planejamento da concretagem.

caminhão betoneira da pré-fabricar
Na dúvida, confie em quem realmente entende de concreto!

Com exceção aos casos extremos, onde há risco de congelamento, a evolução da resistência à compressão em concretagens realizadas em baixa temperatura é prejudicada até a idade de 7 dias

A partir desta idade, a resistência continua evoluindo normalmente, atingindo resistências próximas ou até maiores que os concretos curados em temperaturas mais elevadas. 

Espero que este conteúdo tenha esclarecido suas dúvidas e ajudado você a entender melhor os desdobramentos da concretagem em temperaturas baixas. 

Na dúvida, conte com quem realmente entende de concreto e construção civil.