Funcionalismo 2.0 – Obras que otimizam recursos

lanternim pré-fabricar no top de galpão

A tecnologia contemporânea possibilitou uma otimização dos processos construtivos, que se tornam cada vez mais sofisticados. Para além da dinâmica da construção, tais avanços propõem uma reavaliação da lógica projetista e seu papel na funcionalidade das edificações com o objetivo de promover o bem-estar. 

Obras pensadas no intuito de dispensar maquinários e consumos energéticos, que otimizam não apenas o bom funcionamento do edifício, mas seu impacto no ambiente, trazem uma nova face ao funcionalismo arquitetônico, expandindo e propondo novas possibilidades. 

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Neste artigo, você verá alguns exemplos de construções pré-fabricadas desenhadas para otimizar aspectos como ventilação, iluminação e assim diminuir a utilização de maquinários e seus mais diversos impactos. Mas para pensarmos o funcionalismo contemporâneo, precisamos entender sua lógica predecessora. 

A forma segue a função – o funcionalismo no design e na arquitetura

O funcionalismo, que já existia como forma de pensamento desde a virada do século XIX para o XX nas ciências sociais e na filosofia, promoveu uma revolução nas lógicas arquitetônicas a partir do princípio de que um edifício deveria ser projetado com base na sua finalidade específica

Podemos remontar às origens do funcionalismo a partir da tríade vitruviana de comodidade (utilidade) + beleza + solidez, fundamentos da arquitetura propostos há mais de dois milênios. 

No entanto, o funcionalismo como princípio arquitetônico surge a partir de duas influências primordiais: 

Mies Van der Rohe e o funcionalismo na arquitetura
Mies Van der Rohe, arquitetura voltada exclusivamente à função utilitária.
  1. O arquiteto americano Louis Sullivan, que no final do século XIX cunhou a frase “a forma segue a função”, lógica que foi se aperfeiçoando ao longo das décadas seguintes; 
  2. A Escola de Artes Bauhaus, primeira escola de design do mundo, e seu diretor, o arquiteto Mies van der Rohe, que popularizou uma lógica arquitetônica totalmente voltada à função utilitária, descartando usos puramente estéticos. 

Este primeiro momento do funcionalismo é caracterizado pelo seu radicalismo e entrou em declínio a partir da década de 70

Elementos de um novo funcionalismo 

Ainda na primeira metade do século passado, a variante sueca do funcionalismo seguia o princípio de que os edifícios deviam ter ar e luz, sendo essa uma prioridade arquitetônica.

Hoje, contamos com uma série de recursos tecnológicos que nos propiciam bem-estar e uma climatização agradável em ambientes internos. Este maquinário, no entanto, tem um custo regular para a natureza e para o nosso bolso. 

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Por isso, a construção civil volta a debater o papel da estrutura arquitetônica na ampliação do bem-estar humano, agora como alternativa ao uso de máquinas e aparelhagens que necessitem de consumo energético. 

Novas tecnologias de projeção, como o BIM, nos permitem alcançar novos patamares de otimização construtiva. É o que chamamos de Funcionalismo 2.0, uma forma de construir que aproveita ao máximo as possibilidades estruturais, sem abrir mão de suas atribuições estéticas

Agora que já conceituamos aquilo que chamamos de funcionalismo 2.0, é hora de entendermos algumas aplicações práticas. 

O lanternim como forma de climatização natural

Os lanternins substituem com eficiência sistemas de ventilação interna.

O conforto térmico é hoje um fator fundamental de bem-estar, tornando-se inconcebível a utilização de espaços internos que abdiquem desta característica. 

Em consequência, os sistemas de ventilação e climatização representam um dos principais custos em consumo e manutenção em grandes galpões industriais. 

Recentemente, uma de nossas colaboradoras, Diandra Carla Correia, apresentou um projeto acadêmico que propõe a utilização de lanternins em galpões industriais estruturados em pré-fabricados

Fluxograma de como funciona o lanternim
A medida que o ar entra no ambiente, sua temperatura o expande elevando-o ao lanternim instalado na parte superior da construção.

A forma mais eficiente de proporcionar a circulação do ar por meio dos lanternins é a união entre o efeito chaminé, que trabalha com a densidade do ar interno e externo, com o efeito Venturi, que é o movimento de um fluido através de uma seção transversal e que maximiza a circulação do ar em sua aplicação nas entradas e saídas de ar dos lanternins. 

Sistema de lanternim visto de cima.
Para que o lanternim aja com total eficiência, é necessário que seja instalado na parte mais alta da construção, a cumeeira.

Como resultado, o recurso dos lanternins elimina um consumo energético considerável, proporciona uma ventilação permanente que facilita a circulação do ar, reduzindo riscos à saúde daqueles que frequentam a edificação e possíveis danos ao maquinário. 

Além do bem-estar térmico, o uso dos lanternins fornece iluminação natural, tudo isso de forma silenciosa, eliminando os ruídos produzidos pelos mecanismos tradicionais. 

sistema interno de lanternim
Iluminação natural, outra forma de otimizar recursos e economizar gastos.

O sol como luz interna – iluminação natural prismática 

A iluminação é outro fator a ser otimizado através das escolhas arquitetônicas da construção a ser desenvolvida. Apesar de não ser uma novidade arquitetônica – vale lembrar dos domos construídos em antigas catedrais – a iluminação natural vem ganhando espaço e eficiência a partir de novas soluções. 

Para exemplificar este recurso, podemos lembrar do case Max Center, supermercado de Porto Alegre, montado com nossas estruturas pré-fabricadas e que já apareceu por aqui no nosso artigo sobre o papel dos pré-fabricados para uma construção mais sustentável

A construção utiliza o recurso de iluminação natural prismática, que usa um sistema de lentes especiais que potencializa a luz solar ao mesmo tempo que filtra raios danosos como o UV. 

Dessa forma, o supermercado Max Center é capaz de funcionar durante todo o período diurno sem acender uma lâmpada sequer

Na vanguarda do funcionalismo

Com um desenvolvimento industrial sistêmico, investimentos em inovações construtivas e suporte tecnológico nas várias etapas do processo de construção, do projeto à obra concreta, a indústria dos pré-fabricados conta com uma posição privilegiada no desenvolvimento de novas soluções funcionalistas

Plataforma de BIM
Tecnologia BIM, uma das ferramentas que possibilitam o desenvolvimento de uma nova forma para o funcionalismo na construção.

Tecnologias como o Building Information Modeling (BIM) dão os recursos necessários para que um projeto de construção possa ser pensado e desenvolvido para muito além dos aspectos tradicionais de montagem, oferecendo informações muito mais consistentes sobre sua vida útil e sua relação com o meio ambiente e o bem-estar dos futuros habitantes. 

As várias funcionalidades possíveis em um projeto arquitetônico ditarão as novas formas de se fazer construção civil. Por isso, a Pré-fabricar segue investindo pesado em inovação, tecnologia e desenvolvimento técnico, com a visão de abrir novas possibilidades para construções cada vez mais otimizadas e pensadas para pessoas, seus usos e sua relação com o ecossistema. 

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